Alcoolemia Zero no Bafômetro dos Outros é Refresco
Por Hugo Fusco Lobo on Jun 20, 2008 | Em textos | 32 comentários »
Já há algum tempo a medicina sabe que duas doses diárias de álcool fazem muito bem à saúde, principalmente de vinho, mas não apenas dele. A partir de hoje, no Brasil, essas duas doses nos farão muito melhor, pois serão, obrigatoriamente, acompanhadas de uma boa caminhada. Quer dizer, exceto para nosso presidente cachaceiro e nossos concidadãos no Congresso, com seus altos salários e gordas verbas de gabinete que não precisam se preocupar com essas coisas mundanas como dirigir ou problemas com o judiciário.
Está pensando em levar sua mulher para jantar e tomar um bom vinho? Só se for a pé. Uma cervejinha acompanhando o almoço? Não pode nem sonhar em dirigir. Uma cachacinha digestiva para rebater a feijoada? Não pode nem estar com a chave do carro no bolso. Até mesmo tomar gotas homeopáticas pode ser perigoso.
Mais uma vez temos uma lei com a cara do presidente e do Congresso, completamente desconectada da realidade. Enquanto a imprensa, o Planalto e o Congresso se esforçam para tornar o álcool o vilão da vez no trânsito, em Brasília tira-se carteira de motorista sem sequer ser avaliado na baliza. A prova de moto nem mesmo leva o candidato para o trânsito. Tudo feito dentro de um estacionamento.
Ao passo que 30% dos acidentes são causados por motoristas alcoolizados (o que leva à óbvia conclusão de que é muito mais perigoso dirigir sóbrio), 100% dos acidentes graves são causados por imprudência e excesso de velocidade, fatores que estão diretamente relacionados ao grau de idiotice do cidadão. E a pessoa idiota é idiota bêbada ou sóbria. Até pode disfarçar melhor quando sóbria, mas a idiotice está lá, latente. Não consigo me lembrar de notícias de acidentes graves que envolvessem respeito às leis de trânsito, principalmente aos limites de velocidade (lanço aqui um desafio a quem possa postar aqui um link com matéria com semelhante teor). Invariavelmente, o fator velocidade estupidamente alta associado a outros tipos de imprudência e imperícia está relacionado aos acidentes graves.
É ululante que formar e educar adeqüadamente os motoristas e pedestres é muito mais difícil, dispendioso e menos alardeador que aprovar uma lei demagógica e hipócrita. Infelizmente, este vem sendo o modus operandi de nossos políticos há séculos.
O princípio da proporcionalidade (ou razoabilidade) defende que a pena deve ser proporcional ao delito. Ora, perder a carteira de motorista por um ano não é nem um pouco razoável para quem bebeu uma ou duas doses. O próprio guarda dificilmente concordará com uma lei tão irrazoável e, muito provavelmente, não se incomodará em trocar a punição prevista por uns trocados a mais em seu bolso. O cidadão de bem também reavaliará sua conduta, frente a punição tão desproporcional. Defendo inclusive que o horário da transgressão é fator relevante para definir o grau de ofensa da transgressão, mas essa discussão parece totalmente descabida agora, como o rumo que as coisas tomam.
Por outro lado, todo um novo mundo se abre para o bom paquerador. Sob a justificativa de beber em segurança e a salvo da gana policial, sua residência passa a ser caminho obrigatório e, porque não, único, em seus encontros pseudo-amorosos. Foi fraca, né? Também achei. Não consigo ver mais nada de positivo nesse absoluto estado de desespero e perseguição que se estabeleceu.
Ainda hoje, vi um idiota ultrapassando (sóbrio, com certeza) pelo acostamento, fato que, infelizmente, fica cada dia mais comum. Como o dia é propício para propor leis absurdas, defenderei a lei da idiotice zero que será aplicada em qualquer campo da vida moderna, inclusive ao volante. O problema dessa lei, é que provavelmente colocaria atrás das grades o presidente e 3/4 do Congresso, pois esses, ou são idiotas, ou nos tratam como se nós fôssemos.
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32 comentários
O Brasil se afasta, dia-a-dia, do conhecimento formal, da pesquisa e da valorização do trabalho. Sou sócio de uma empresa que paga ao governo mais do que a qualquer um dos sócios, em troca de nada.
Espero estar neste planeta tempo suficiente para viver as melhorias advindas da reflexão desse período de desperdício de oportunidades e engorde da massa ignorante do Brasil.
O avanço do falso moralismo é a cara do atraso de todas as ações desse governo, que taxa CDs, Softwares e tantas outras coisas por não considerar Cultura e Tecnologias como bens de extrema necessidade.
Necessidade verdadeira é manter o povo moribundo, ignorante e gordo o suficiente para votar no Lula nas próximas eleições.
Quem viu antes (Olívio Dutra, Tarso e Raul Pont) não se assombra. A censura, intolerância e imposição de idéias (?) foi sempre uma marca registrada do Partido dos Trabalhadores.
Agora, nos acostumemos com o cerceamento de liberdade. Este é só mais um estágio de tantos outros já vistos nos últimos anos, o último marcante para mim foi a entrega do pugilista cubano para o Fidel.
Felizmente (?), a história nos ensina que Estados moldados dessa maneira são os mais suscetíveis à proliferação da corrupção, do mercenarismo e da ilegalidade.
Um brinde a você, eleitor otário.
http://frentetransitoseguro.com.br/
Sobre os teus comentários, transcrevo as minhas reflexão abaixo.
Luís Inácio não foi o presidente mais ignorante que o país já teve. Talvez do ponto de vista educacional, sim. Mas, do ponto de vista de que o conceito de ignorância pode ser estendido ao desconhecimento das reais condições sócio-econômicas de nossa população, nosso presidente talvez tenha mais sensibilidade para traçar políticas públicas que procurassem minimizar este problema. Pelo menos, deveria.
Com relação ao excesso de tributação exercida pelo governo, esta é uma questão histórica. Sim! Desde que D. João VI chegou por aqui, nunca nenhum governo se preocupou realmente com esta questão. E isto porque não há na cultura dos economistas da área estatal qualquer preocupação com este assunto. Isto ocorre porque a ineficiência, a corrupção na alocação dos recursos não permitem que o governo empreenda esforços para minimizar seu 'apetite' em nos taxar cada vez mais. O caso mais recente, a criação da CPMF e a recriação da CSS por partidos de ideologias, em princípio, completamente diferentes, comprova bem o que digo. Em outras palavras, não importa que grupo político ocupe o Palácio, seremos sempre excessivamente tributados enquanto não promovermos a efetiva e justa reforma tributária que há tantos anos está emperrada no Congresso.
Criticar apenas Lula, Genro & os demais 38 é simples demais. E o que dirá o meu amigo da escandola máquina de corrupção vigente no governo no Rio Grande do Sul? Esqueceu de incluí-la na lista desavidamente ou por que tudo que não presta vem do PT e quanto aos demais são apenas denúncias vazias?
Brindo com você não pela alegria de ver que na roda da história quase todos tiveram a sua vez e comprovou-se: o poder corrompe. E quem não quer ser corrompido, que não assuma o poder.
Ah, faltou um detalhe: Hugo, a MP 415 prevê que apenas nas margem das rodovias federais haverá a proibição de ingestão de bebidas alcóolicas. Eu não sabia que sua casa se encontrava nesta situação...
2- Pela lei (Ridícula neste ponto), beber uma taça de vinho é dirigir bebado e passível de multa de R$ 1.000... Só na cabeça deste povo do congresso, que anda de motorista.
3- O cidadão Petista do comentário anterior deu razão ao argumento do primeiro... pois saiu falando merda sem sequer ler a lei, na ânsia de defender o seu amado PT. A Lei vale no país todo, não só em rodovias. Basta ler, se souber.
E nem pensem em tomar Biotônico Fontoura antes de dirigir!
1) Não sou petista e não acredito na divisão do mundo em petistas e social-democratas.
2) O artigo segundo, da MP 415, convertida na Lei 11705 prevê que: "são vedados, na faixa de domínio de rodovia federal ou em terrenos contíguos à faixa de domínio com acesso direto à rodovia, a venda varejista ou o oferecimento de bebidas alcoólicas para consumo no local."
3) Quem é que não sabe ler?
Felizmente você nunca esteve do "outro lado" da história, ou seja, não foi atropelado ou tomou uma batida de um cidadão embreagado.
Hugo, saiba que em países desenvolvidos as leis são severas assim. Parte da consciência de cada um em beber, pegar o volante e arcar com as punições, ou, já sabendo que vai beber, ir de táxi.
Tem aquele lance do "amigo da vez" também, embora em Brasília isto seja inviável, devido às grandes distâncias.
PS: Britz, você está citando o artigo 2, mas o que está sendo discutido pelo Hugo é o artigo 1 (veja abaixo).
"Art. 1o Esta Lei altera dispositivos da Lei que institui o Código de Trânsito Brasileiro, com a finalidade de estabelecer alcoolemia 0 (zero) e de impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool (...)"
http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm
a MP sofreu alterações e, em sua versão final, alterou o artigo que tratava sobre o limite de alcoolemia no sangue, reduzindo-o a ZERO. Isso mesmo, ZERO.
Ser pego com qualqer nível de álcool no sangue, além de uma multa de milão, ainda te custa UM ANO sem carteira de motorista. E acima de 6 decigramas de álcool por litro de sangue, é crime, passível de prisão. Por isso, a revolta, meu caro.
Abs...
Vão prender bandido e deixem nossas santas doses em paz.
Jamais defendi o direito a dirigir embrIagado, mas a lei anterior já era suficientemente rigorosa nesse quesito, pois 2 doses (aproximadamente 6 decigramas por litro de sangue) é uma quantidade que não deixa ninguém embrIagado, nem tampouco impossibilita ninguém de dirigir. O que era preciso era fazer a lei valer, pois tenho convicção que o sentimento de impunidade deste país é muito mais responsável pelas imbecilidades praticadas no trânsito (e não apenas nele) do que duas doses de bebidas alcóolicas. A medida é hipócrita e demagógica. Simulação de eficiência de um estado que é incapaz de aplicar as leis que cria, muitas vezes, por interesses espúrios.
Os países desenvolvidos citados devem ser aqueles muçulmanos, onde até a venda de bebida alcóolica é proibida.
Falando no outro lado da história, sigo com o desafio lançado, de que se postem links com notícias onde pessoas dirigindo dentro dos limites de velocidade e respeitando as leis de trânsito tenham causado acidentes graves devido ao uso de álcool dentro dos limites da lei anterior.
Ah, I short cocotas...
Local: Plenário 11, do Anexo II, da Câmara dos Deputados
agora entendi o motivo da "tolerância zero". Neste video o cara do Detran explica que era muito difícil mensurar a quantidade mínima de sangue no álcool (ou seria o contrário, hehe).
http://www.correioweb.com.br/tvbrasilia/index.htm?id=279
O que você acha? Mas afinal, pra que servem os bafômetros?
Abraço,
Muito bacana este post.
Hugo, "Claro, 10 horas da manhã é um horário super conveniente para o cidadão trabalhador... " ????? Tá bom, tá bom
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u415932.shtml
Há que se discutir a questão de gênero. Pagamos o pato pela babaquice alheia!!!
Se o guarda quiser ficar rico, é só fazer ponto na porta de um restaurantes desse. 100% de taxa de sucesso.
Joana, há uma tese no sentido de que as mulheres se envolvem em menos, mas provocariam mais acidentes... assim, na verdade, quem paga o pato é o pato mesmo... hehehehe
As pessoas que se envolveram em acidentes graves, por acaso, sabem o teor de alcool no sangue delas?
Uma pessoa que cheira cocaína a noite toda e depois toma uma copo de cerveja e em seguida pega o carro provavelmente representa um perigo muito maior do que aquela que toma um engradado de cerveja.
Essa lei é absurda que so pune os que não podem sair de taxi ou pagar motoristas particulares.
As Raves estão mais cheias do que nunca... afinal, o pessoal que vai neste tipo de Festa(??!)é super do bem, não consome cerveja alguma, passa a noite toda só bebendo agua mineral, na maior!
Pode colocar quantos bafometros quiser na porta... que não prende um!
Afinal... Alcool é coisa de bandido! Gente do bem fica só no Ecstasy e LSD.
Se você porrar o carro porque tomou uma merda dessas e viu um elefante cor de rosa parado na estrada... não acontece nada. Mas se vc tomar uma sobremesa de papaia com cassis... não precisa nem bater o carro para ser preso!
Pelas novas regras, reformuladas após 30 anos, quem for pego pedalando embriagado terá pena de reclusão de até 5 anos e ainda pagará uma multa de 1 milhão de ienes (cerca de 10 mil dólares).
Aqui no Rio, como Sérgio Cabral anda interessado em incentivar o uso de bicicletas..."
E lembre-se: se beber não dirija. Nem pedale.
Vai Hugo escreve alguma coisa, nem que seja sobre a Dercy...
[:)]
bjs!
O que falta a sociedade de condutores brasileiros é respeitar a si próprio e ao seu semelhante, quando na condução de um veículo automotor.
Conhecer o conceito de cidadania e utilizá-lo nas relações cotidianas engrtandece a democracia, onde as ações devem ser voltadas ao equilíbrio da Sociedade.
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