Categoria: pai coruja

O Torcedor

Neste domingo, levei o Caio pela segunda vez ao Pacaembu para ver o Coringão jogar. De arquibancada do povão, que é onde meu pai me levava. Na primeira vez, mais ou menos um ano atrás, ele ficou num estado de total euforia nos primeiros 15 minutos, parecia não estar acreditando que estava naquele lugar que ele sempre via na TV. Passou o jogo todo prestando muita atenção na torcida, nas músicas, no funcionamento do espetáculo como um todo. O jogo em si ele nem viu muito. Só vibrou na hora dos gols. Naquela ocasião, ganhamos de 2 a 0 do poderoso Santo André.

Desta vez, ele não se empolgou tanto ao entrar no estádio. Ficou feliz, mas um tanto quanto blasé, como se aquilo tudo não fosse novidade para ele. Em compensação, foi impressionante ver como ele evoluiu como torcedor, como ele realmente prestou atenção da primeira vez, e, de fato, aprendeu a dinâmica do espetáculo. Toda vez que a “Torcida dos Ecas”, como ele chama qualquer adversário do Timão, ousava tentar fazer qualquer espécie de barulho, ele imediatamente vaiava. Cantou todas as músicas da torcida que ele já conhecia e prestou atenção nas novas para aprender. Demonstrou também profundo conhecimento das regras, chamando o juiz de ladrão toda vez que qualquer atleta do Timão era derrubado e a falta não era marcada, e pedindo cartão amarelo em todas as faltas marcadas a favor de nós. Comemorou muito os 2 gols, e, após cada um deles, já ficava olhando para trás, esperando o momento que o bandeirão seria aberto sobre nós.

Mas o melhor veio no final. Ganhamos de 2 a 0 e estávamos indo embora, felizes. Tinha uma grade e um monte de torcedores nela, olhando para baixo. Ele quis ir ver o que tinha de tão interessante lá embaixo.Me aproximei com ele, e vi que era a torcida da Portuguesa saindo por ali, e que o pessoal estava na grade com o único intuito de xingar e zoar bastante eles (Como se torcer para a Portuguesa já não fosse sofrimento suficiente). Ele ouviu toda a espécie de palavrões. Por uns instantes, fiquei meio arrependido de estar ali, ele é super bem educado, não quero ele falando palavrão. Rapidamente ele entendeu qual era o espírito ali na grade e, do alto dos seus 7 anos, gritou bem alto o xingamento mais grave que ele conhece: “Cara de minhocaaaaaaa”.

Fiquei orgulhoso... meu filho já é um membro do bando de loucos, completamente Corinthiano... e continua sendo a criança mais bem educada que eu conheço, e que sempre me surpreende com sua capacidade de aprender as coisas da vida. (Sem contar que é pé quente!)