Diário de um Paquerador Maluco

Tergiversar é preciso

Antes de mais nada, isto não é um diário. Não pretendo falar do meu dia-a-dia ou do meu estado de espírito. Quero apenas publicar meus textos que não são necessariamente auto-biográficos, nem têm o menor compromisso com fatos ou com a verdade, apenas com a criatividade deste que vos escreve.

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A Ratoeira

Por Hugo Fusco Lobo on Mar 8, 2010 | Em textos | Enviar comentário »

Esta é uma estória de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Para melhorar a comunicação na empresa e aproximar-se do perfil intelectual de seus subordinados, o Chefão resolveu começar a divulgar fábulas que ilustrariam situações vivenciadas na empresa e teriam boas lições para os empregados. Como toda empresa que se preze, a comunicação passada pelo Chefão logo circulava por toda a empresa com ares de verdade absoluta e inquestionável e era repetida incansavelmente por todos os subníveis de chefia.
Toda vez que alguém deixava (ainda que justamente) de fazer o trabalho dos outros, esta fábula era ventilada.

Discordando da visão da chefia (heresia!) e desejando comunicar-se com o Chefão, sem, entretanto, questionar diretamente seus ensinamentos, Joãzinho resolveu escrever sua própria versão da fábula (a leitura da versão original é necessária):

A Ratoeira (Versão Alternativa)

O Rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
– Há uma ratoeira na casa, há uma ratoeira na casa!
– Nossa, isso é um perigo! Vamos avisar a todos. – disse a Galinha e saiu a ajudar o Rato.
Chegando ao Porco, este imediatamente lembrou:
– Uma vez prendi meu rabo em uma ratoeira, veja como ele ficou: todo enroladinho. – E saiu a espalhar o aviso.
A Vaca, que havia prendido o rabo no arame farpado há pouco tempo, também solidarizou-se e assim todos saíram a espalhar o aviso pela fazenda.

Naquela noite, ouvi-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia caído na ratoeira. A cobra, que havia passado o dia a esquivar-se de todos, sempre procurando novas presas, desavisada, prendeu-se à ratoeira e não hesitou em atacar seu algoz quando este se aproximou. O resto da história vocês já conhecem.

Lições aprendidas:
1) Na próxima vez que você avistar uma cobra na fazenda, lembre-se: todos estão em perigo.
2) Mesmo que a cobra se dê mal, ainda assim os resultados de suas ações podem ser catastróficos.
3) Muito pior que a ratoeira é quem a arma, pois este não hesitará em matar a todos quando necessário.
4) Caminhos distintos podem levar ao mesmo lugar.
5) Cuidado com a Cobra à espreita.
6) Em outra fazenda, a própria Cobra colocou a ratoeira para facilitar seu trabalho de caça e acabou presa por descuido. O resto da história vocês já conhecem.

Atualmente, Joãozinho está atolado em dívidas, vivendo de pequenos bicos e gastando seu tempo livre escrevendo textos para blogs pouco lidos. Sua ex-empresa foi matéria de capa da revista Exame pela comunicação inovadora e exemplar com seus funcionários. One way, claro.

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