O Careta
De Hugo emAbr 6, 2012 | Em crônicas | 3 comentários »
−A guerra contra as drogas foi perdida!
− É, brou, esse negócio de guerra não tem nada a ver.
− Está na hora de parar de gastar milhões de reais do bolso dos contribuintes com uma repressão inócua que só assenta o caminho para a proliferação do crime organizado. O negócio é regular a produção e a venda das drogas. Com os milhões arrecadados em impostos será possível custear programas de recuperação para os viciados e também a própria segurança pública. E ainda vai sobrar dinheiro!
− Pô, aí, os “cana” pegam muito pesado, mas meu fornecedor é gente boa. Safo. Ninguém pega ele, não!
− Ele deve corromper meio mundo para ficar assim, tranqüilo. A legalização vai desmontar o esquema do crime organizado e minar o financiamento deles. Vai trazer mais segurança para todo mundo, usuários ou não.
− Só...
− É aquela história: “se não pode vencê-los, junte-se a eles.” Todas as experiências são positivas nos países que afrouxaram essa guerra contra as drogas, como Holanda e Portugal. Até o número de usuários diminuiu. Sem contar a queda vertiginosa do número de crimes relacionados às drogas. Como diria tia Rita Lee: “Por que uísque sim?! Por que cannabis não?!”
− É... A tia Rita é demais!
− Além disso, na prática está tudo à venda, mas sem controle nenhum, então vários produtos são misturados às drogas, como água no feijão, para fazê-las render mais, o que acaba expondo a saúde dos usuários a um risco muito maior. Com a legalização, a qualidade do produto seria muito superior e ele seria muito menos danoso à saúde.
− Cara, como é difícil comprar um bagulho bom. Esse aqui mesmo é uma porcaria.
− É, e você ainda fica se arriscando para comprar essa bagaça.
− Ow, uma vez os “cana” me ganharam, foi foda. Fiquei sem o bagulho e sem dinheiro nenhum. E ainda levei uns tapas na cara. Foda, aí.
− Pois é, foi achacado por quem deveria te proteger. Sinal que o sistema está todo de cabeça para baixo. Isso precisa ser mudado, é preciso inverter toda essa lógica.
− Pô, muito legal seus argumentos, aê. Tudo a ver! Você devia escrever e mandar para todo mundo. Até pra não esquecer. Gostei daquele negócio que você falou do contribuinte. Como foi mesmo? Quer um tapinha?
− Obrigado, amigo, eu não fumo.
− Ih, ó o cara, mó careta, aí.