Carnaval
Por Hugo Fusco Lobo on Fev 3, 2008 | Em textos | 1 comentário »
O Brasil é um país católico. E como os padres não são de todo bobos, concedem quatro dias de diversão sem culpa por ano. No resto do ano, transar só para fins reprodutivos e com a esposa devidamente homologada perante Deus. E sentindo culpa se houver prazer. Gozou? Dez pais-nossos e cinco ave-marias e vá com Deus.
Não tenho nada contra o carnaval em si. Celebração da vida, amor livre, alegria: putaria. Gosto tanto disso que tenho me dedicado (com algum sucesso, diga-se de passagem) a carnavalizar o resto do ano. É claro que existem inimigos naturais: o trabalho, a culpa católica-cristã, a necessidade das pessoas de permanecer sóbrias a maior parte da semana, entre outros não tão importantes. Voltando ao assunto, o que me incomoda é a exclusividade que o carnaval oficial concede aos amantes do Axé, Samba de Avenida, Pagode e afins. O que resta a um pobre diacho não simpatizante desses estilos, digamos, musicais?! O solitário conforto de sua residência, enquanto meio mundo transa livremente (pelo menos em nossa cabeça).
Não há motivos para que isso seja assim, afinal, a música não tem nada a ver com toda essa libertinagem. O álcool sim. Então, do ponto de vista prático, o que impede um amante da música clássica de encher a lata e cair na orgia ao som da 9ª de Beethoven?! Aliás, que lugares freqüentam as amantes da música Clássica?! Tenho pena desses pobres coitados... Já é difícil achar onde freqüentam as amantes do Rock!
Enfim, há um ditado famoso que diz: os incomodados que se retirem. Assim, só tenho um pedido a fazer aos meus leitores: me enterrem na quarta-feira de cinzas, com os dizeres – Morreu de tédio.